Um marco na história da internet no Brasil se deu nos dias 21 e 22 de agosto na cidade de São Paulo: a realização do I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. O Encontro reuniu cerca de 330 blogueiros de 19 estados para debater os rumos da internet no país. Por lá passaram figuras como os jornalistas Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna, Renato Rovai, Altamiro Borges e Leandro Fortes. Não há como não nos lembrarmos da presença do sociólogo Emir Sader, do deputado federal Brizola Neto, do Ministro das Relações Institucionais Alexandre Padilha, do cartunista Carlos Latuff e do ator José de Abreu. Além de blogueiros renomados como Eduardo Guimarães, Conceição Oliveira, Tulio Vianna, Miguel do Rosário e dos excepcionais Cloaca News e Stanleyburburin.
O sentido unitário do encontro permaneceu pulsante durante os debates, mesmo com todas as diferenças ideológicas que ali estavam. O interesse da coletividade em debater um meio mais democrático, que rompa com os abusos midiáticos cometidos diariamente, e as formas alternativas de difusão da informação - sem a lógica do “emissor”, “receptor”, conceito ainda tão repetido pelos jornalistas amedrontados com o novo - foram, em geral, a linha construída pelos participantes do encontro.
O encontro, além de fortalecer a blogosfera, possibilitou que os ativistas da rede, pudessem estreitar as relações, criar laços e, a partir daí, novas esferas de circulação da informação, descentralizando cada vez mais os fatos. Um embate travado pelas forças populares e por parcela da sociedade comprometida com a democratização dos meios de comunicação. Um desafio à mídia hegemônica. Entusiasmados com a possibilidade de dar continuidade a esse movimento histórico da comunicação brasileira, propostas importantes foram deliberadas, em especial, a construção das etapas estaduais, que já começam a pipocar pelo Brasil à fora.
Juventude protagonista
É neste cenário da internet, mídia, e militância virtual, que se fez necessário uma pauta específica de luta. O público juvenil é majoritário na internet, contudo, os jovens não eram maioria no encontro, mas, todos, em níveis diferenciados, têm blog, twitter ou utilizam qualquer outra ferramenta da rede. Foi com esta perspectiva, que a reunião dos jovens blogueiros, convocada pela UJS, foi um dos pontos altos do encontro. Em conjunto, formulamos uma moção em defesa da inclusão do direito à internet na Constituição através de uma Proposta de Emenda Constitucional. A proposta surgiu a partir da compreensão dos jovens de que a universalização da internet no Brasil não pode ser refém de um projeto de governo como é o Plano Nacional de Banda Larga. Precisa ser uma política de Estado.
A PEC da Banda Larga, como ficou conhecida, pretende incluir no artigo 220 da Constituição brasileira o seguinte parágrafo: “O acesso à internet de qualidade é um direito de todo cidadão”. Garantir esse direito em lei não seria nenhuma jabuticaba, ou seja, não seria uma invenção do Brasil. Ao contrário, a proposta é claramente inspirada na Finlândia que acaba de aprovar uma lei que assegura o direito legal de todo cidadão do país ter acesso a internet com uma velocidade mínima de 1 megabyte por segundo (MB/s).
Temos que garantir que uma ampla Frente Parlamentar seja formada no Congresso Nacional com o objetivo de aprovar a PEC da Banda Larga. Temos que garantir, inclusive, que no processo eleitoral todos os candidatos se comprometam com esta bandeira. Universalizar a internet no país é dar poder de informação ao nosso povo. E quando o povo tem o poder da informação em suas mãos, mil poesias de igualdade, liberdade e fraternidade se realizam! Afinal, a Informação é propriedade da humanidade.
Rafaela Muniz é Jornalista, Diretora de Comunicação da UJS/MS e blogueira da “Turma da Dilma”
Theófilo Rodrigues é Secretário Estadual de Formação da UJS-RJ, Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal Fluminense e Blogueiro do“Fatos Sociais” e do “Observatório do PIG”.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Blogueiros em defesa da PEC da Banda Larga
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Mato Grosso do Sul marcou presença no 1° Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas
1° Encontro de Blogueirros Progressistas reuniu em São Paulo, mais de 3OO pessoas, neste final de semana, em São Paulo. Representando a UJS/MS e o blog Turma da Dilma MS, Rafaela Muniz acompanhou os debates, fortalecendo a frente de comunicadores da entidade. Segue abaixo, texto publicado no portal Vermelho
Evento reuniu mais de 300 pessoas, vindas de todo o país. A UJS marcou presença com sua Frente de Jovens Comunicadores.
Blogueiros de todo o Brasil se reuniram durante o último final de semana no 1º Encontro de Blogueiros Progressistas em São Paulo para trocar ideias e informações sobre a produção de conteúdo alternativo à grande mídia. Foram exatamente 330 inscritos, vindos de 19 regiões do país, que puderam falar de suas experiências na web.
Como resolução, os participantes do Encontro aprovaram uma carta de princípios que, entre outras propostas, definiu o termo “Progressistas” como parte do nome da atividade, além de garantir o caráter suprapartidário, marcar posição contra a censura e defender a neutralidade da internet. O texto ainda contempla apoio à regulamentação dos artigos da Constituição Federal que tratam dos meios de comunicação no país e de incentivo a estruturas de financiamento para produtores autônomos.
A segunda edição do Encontro também foi decidida em conjunto pelos blogueiros - ainda sem data e local definidos -, juntamente com a realização de reuniões locais e regionais. Outros termos aprovados foram as moções de apoio e de solidariedade a jornalistas e comunicadores.
Marcando presença no 1º Encontro, a UJS aproveitou a oportunidade para dar o primeiro passo na organização de sua Frente de Jovens Comunicadores. Para tanto, estamos mapeando todos os blogueiros militantes da entidade, recebendo informações por meio de um cadastro. O preenchimento é importante para a construção de estratégias eficientes de comunicação e fortalecimento da juventude, alinhando-as às principais demandas de nossas mobilizações. A diretora responsável pela Frente, Luana Bonone, esteve no Encontro e conta detalhes da participação da UJS no evento.
Que contribuições a Frente de Jovens Comunicadores apresentaram no Encontro e no que ela pode contribuir daqui para frente?
Os militantes da UJS presentes ao 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas conseguiram deixar a marca da juventude socialista no encontro. Com muita amplitude e politicamente antenados à natureza do encontro, a UJS distribuiu material com algumas opiniões e apresentou moção, aprovada pela plenária do encontro, pelo encaminhamento de uma PEC da Banda Larga, que inclua o direito à internet Banda Larga à população brasileira na Constituição Federal (no capítulo 5, que trata da comunicação).
Aprovada a moção, o próximo passo é uma grande campanha envolvendo a juventude e os lutadores pela democratização da comunicação em todo o país pela universalização da Banda Larga de qualidade. Para encaminhar esta proposta, a UJS convidou todos os jovens presentes ao encontro, e organizou um encontro da juventude blogueira, que se autodenominou "jblog".
O que você destacaria na programação do evento?
O encontro contou com mesas muito ricas, compostas pelos blogueiros de maior referência ao campo progressista no país (Paulo Henrique Amorim, Rodrigo Vianna, Luiz Carlos Azenha, Conceição Lemes, Luis Nassif, Altamiro Borges, Emir Sader, entre outros). Foi realizado também um momento de oficina, indicando formas de buscar financiamento, de se resguardar juridicamente e também apresentando possibilidades tecnológicas e de interação das redes sociais. Entretanto, o principal momento foi mesmo os grupos de discussão, onde cada blogueiro e cada blogueira puderam se apresentar e expor suas ideias de como articular melhor a ação dos midialivrisats em todo o país.
Quais os próximos passos da Frente de Comunicadores a partir de agora?
O próximo passo é iniciar pelo Twitter e outras redes sociais uma grande campanha em defesa do encaminhamento e aprovação de uma PEC da Banda Larga e participar ativamente dos conselhos estaduais de organização do encontro dos blogueiros progressistas, que estão se constituindo em cada estado.
Com informações do Portal Vermelho.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
UJS/MS presente na luta por Dilma, presidente do Brasil
A UJS/MS têm protagonizado um importante movimento de juventude no Estado; com o nome Turma da Dilma MS, o coletivo está aglutinando, cada vez mais, jovens de diversos segmentos da sociedade na luta em defesa deste projeto. Diversas reunião e atividades culturais estão sendo mobilizadas com a ajuda dos militantes, filiados e colaboradores da entidade. Através do blog www.turmadadilma.blogspot.com e twitter @turmadadilma, a campanha virtual potencializa as ações da juventude e estabelece relações mais próximas, formando assim, uma grande rede em favor de Dilma, a futura presidente do País.
No Dia da Juventude, dia 7 (sábado), a galera foi para a rua, em conjunto com outras entidades e juventudes partidárias, panfletar na região central da capital, Campo Grande, e reafirmar que a juventude está comprometida e mobilizada para eleger a primeira mulher presidente do Brasil!
Assista ao vídeo da atividade!
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
UJS/MS integra coletivo de juventude do candidato ZECA DO PT

Os movimentos de juventude das forças populares de Mato Grosso do Sul estão protagonizando um importante papel no debate eleitoral de 2010. Integrando este coletivo, a UJS/MS, têm participado ativamente da luta, rumo à vitória, para eleger Zeca do PT, governador do Estado. Fazem parte do coletivo de juventude, entidades estudantis, movimentos sociais e as juventudes partidárias da coligação “A força do Povo”.
Dos avanços obtidos nos 8 anos do governo Zeca – 1998-2006 – um deles, em especial, correspondeu às demandas dos jovens sul-mato-grossenses; a criação da secretaria de juventude foi fundamental para a implantação de políticas públicas. O cursinho popular, por exemplo, oportunizou a chegada de jovens de baixa renda à universidade. A retomada destas ações estimulam a campanha "Volta Zeca".
Segundo o Presidente Estadual da UJS/MS, Waldely Vaneli, eleger Zeca, representa a mudança que o Estado necessita; ‘’No governo Zeca do PT teve maior participação dos movimentos sociais nas decisões do governo. Precisamos restabelecer o diálogo e fortalecer a participação popular. Zeca diversificou a economia no Estado e estimulou o desenvolvimento com preocupação social e ambiental. A volta do governo popular representa a retomada destas ações e o aprofundamento nas mudanças, aliado ao governo Lula.
O coletivo de juventude, além de debater o plano de governo do candidato e as propostas relativas à PPJ, têm se dedicado a construir atividades com os diversos segmentos de juventude do Estado. Reuniões, rodas de tereré, atividades culturais, levarão Zeca do PT ao anseio e expectativas da juventude guaicuru.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Juventude Guaicuru marca presença no 15° Congresso Nacional da UJS
No período de 17 a 20 de junho, jovens socialistas de Mato Grosso do Sul partiram da capital, Campo Grande, rumo à cidade de Salvador, palco do 15° congresso nacional da UJS. A delegação do estado foi marcada pela diversidade das frentes; representantes do movimento universitário, cultura, jovens cientistas e jovens trabalhadores participaram dos debates e gt's afim de construir a plataforma de ações da UJS para o próximo biênio.

A novidade deste ano deu-se na composição da direção nacional. 2000 delegados elegeram, por unanimidade, o nome de André Tokarski para presidir a entidade, e aprovaram a ampliação dos membros dirigentes. O presidente estadual Waldely Vaneli, fará parte do pleno, uma medida que diminui as desigualdades regionais.
Durante os quatro dias de congresso, os temas educação, cultura, PPJ, igualdade racial, fim da homofobia e da violência contra a mulher, foram debatidos pela militância e convidados, que contribuíram acrescentando ou retirando emendas nas linhas gerais da tese do 15° Congresso Nacional.
A campanha - até agora vitoriosa -dos estudantes brasileiros, do 50% do fundo do pré sal para a educação, foi também incorporada na pauta de reivindicações dos militantes da UJS, que através da UNE e UBES protagonizaram este importante avanço para a juventude brasileira.
O sentimento de otimismo pôde ser sentido em cada ato do congresso. A abertura dos trabalhos da plenária final, foi ritmada pelo som do grupo Bankoma, que batucou o hino nacional. O plenário, todo em verde e amarelo, fez jus ao lema do congresso "Pra ser muito mais Brasil", e aprovou por aclamação, Dilma como a candidata da UJS a presidente da república.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
As Tecnologias de Informação e Comunicação e o Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento: o protagonismo da juventude.

Por Thiago Custódio Puff
Acelerar a convergência entre o plano conjuntural e o projeto estratégico foi uma das lições ensinadas por Gramsci à modernidade: “é preciso organizar a vontade coletiva”. De uma auto-estima ininterruptamente castigada pelas moscas bem entendidas em tirania da República das Bananas, o Brasil passou a ser o país do nunca antes na história desse país, e aquele que fora dado como morto mostrou-se forte e puljante, sob égide do epíteto nacional: sou brasileiro e não desisto nunca, a versão popular do verás que um filho teu não foge à luta. Existem alguns instrumentos que podem nos auxiliar em nossos próximos desafios e vitórias, ele atua em dois planos dialeticamente relacionados: podem acelerar o processo produtivo ao mesmo tempo em que atuam no acumulo de força necessário ao processo eleitoral por vista. Refiro-me às Tecnologias de Informação e Comunicação as TIC's e é sobre isso que pretendo falar nessa primeira investida sobre o tema.
Quando a democracia de mais de 200 anos ininterruptos de pilhagem, guerra e genocídio em nome do capital, disse aos ex-humilhados dos trópicos, é impossível; quando o braço armado dessa potência revelou sua profunda verossimilhança com os inimigos do passado ao assumir a suástica como método; quando a estúpida ironia em forma de caricatura apoderou-se do tom das notícias do PIG; foi para desgosto de todos esses donos do poder que nosso governo ergueu-se e com ele um povo que não reconhece mais as algemas do passado, afirmando tão alto, por cima do vôo da águia do império, aqui não há desistentes. Foi nesse momento que vencemos, pois ninguém reclama o derrotado, ninguém desenha caricaturas do inexistente, ninguém se arma sem propósito. E hoje, a caricatura reconheceu sua estupidez, e os angustiados só são lembrados pela violência. Sem dúvida, esse é o cenário recorrente, por sinal o que melhor se fixa, dos últimos movimentos da política externa do Governo Lula. E como todas essas questões foram twiitadas, como blogueiros escreveram sobre isso. Nunca antes na história do país a rede foi tão utilizada em defesa do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, mas ela não é neutra o combate de idéias precisa disputá-la.
Um amigo me ensinou que a política também se faz por sinais, nesse sentido relembro a recente frase do presidente do IPEA, Marcio Pochmann, ao afirmar que “o embate eleitoral que se aproxima será mais ideológico”. Não há dúvidas quanto a isso, seu caráter ideológico, ao contrário dos que pautam falsas alienações, está radicalizado na profunda participação dos movimentos sociais, de mãos dadas e cérebros em ritmo de elaboração comum, sintetizando vozes em plataformas, tal como aconteceu no último Congresso da ANPG, com mais de seiscentos pós-graduandos aprovando a tese Movimento um Passo a Frente.
O País busca um novo marco civilizatório, que já é reconhecido pela sigla NPND, Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, fato notório no CONCLAT. No plano tático a capacidade organizativa do movimento social é surpreendente, e justamente por isso, não será televisionada.
Venho de uma geração posterior à queda do Muro de Berlim, e sinceramente minhas primeiras lembranças são da Copa de 1994, principalmente do golaço do Branco contra a Holanda. Falo de uma geração que viu o esfacelamento da URSS no youtube, que possui facilidade em todos esses instrumentos de Tecnologias de Informação e Comunicação e que também por causa dessa interposição é considerada a geração do apático em relação ao fora Collor, geração esta que por sua vez é considerada apática em relação à geração da Ditadura Militar, que foi considerada apática em relação à geração do Petróleo é Nosso, que foi considerada apática em relação à geração abolicionista, cujo exemplo é Castro Alves, patrono da UJS. Sinceramente, quem acompanhou a Movimentação da Campanha do 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a Educação, teve uma belíssima lição de dialética, pois com os mesmos instrumentos, até certo ponto vistos negativamente, tecnologias pelas quais vimos a queda do Muro de Berlim, e o esfacelamento da URSS, com esses mesmos instrumentos de Tecnologia da Informação e Comunicação, pressionamos os senhores senadores e mais uma vez ganhamos. Para dizer a verdade é sobre as Tecnologias de Informação e Comunicação que gostaria de dar alguns pitacos.
Nossa geração, sem dúvida, é uma geração de quadros de base e intermediários com ampla capacidade argumentativa, as tecnologias têm temperado o aço. Mas não quero converter a técnica em chave mágica de nossa redenção, é preciso levar em conta que essencialmente o papel dessas Tecnologias de Informação e Comunicação, mais conhecidas sobre a sigla TIC’s, são definidos socialmente.
A UJS vai garantir o quarto gol na copa, porque os três primeiros serão marcados com nossa mobilização para o 15º Congresso da UJS em Salvador, ao lançar a plataforma UJS na Rede, trata-se de uma avançada plataforma com profunda capacidade de meta programação sincronizada. Estou da falando da plataforma que utilizamos para cadastrar nossos militantes. O que significa é isso, camarada?
Muito bem, muitos de nós temos Orkut, facebook, twitter e blog’s. Conseguimos, é verdade, linkar esses instrumentos que são na maioria das vezes nossos perfis sociais, isso é meta-programação, um programa que fala ou gerencia outros programas. Já a sincronização é a capacidade subordinar todas essas tecnologias a uma mesma ação, por exemplo, postagem no twitter que aparece imediatamente no blog.
Mas o que isso significa do ponto de vista organizativo? Significa mais agilidade na capacidade de mobilização, comunicação, formação e informação. Em Estados que enfrentam profundas desigualdades regionais, como o meu querido Estado do Pantanal, a Rede UJS é aposta concreta na superação de dificuldades como esta.
Essa é a primeira perspectiva que gostaria de apontar, a relação das Tecnologias de Informação e Comunicação com a superestrutura, e sua forte influência como tecnologia no acúmulo de forças no plano tático na construção da contra-hegemonia, reforçando mais uma vez que a técnica não é neutra, seu aspecto ideológico é definido socialmente, e ela está subordinada à luta de classes.
A outra perspectiva em que gostaria de abordar as TIC’s diz respeito à sua alta capacidade de gerar valor tecnológico industrial agregado. Ou seja, a relação das Tecnologias de Informação e Comunicação com Ciência e Tecnologia e o setor produtivo.
O motivo é pretensamente óbvio: o projeto de desenvolvimento nacional deverá absorver as tecnologias de informação e comunicação ao setor produtivo para garantir agilidade ao processo de industrialização, seja por incorporação de hardware ou software.
Essa afirmação não é blefe, a média das 59 empresas líderes em TIC’s no país (não quer dizer que são sangue puro tupiniquim) revela uma absurda capacidade de gerar valor tecnológico e industrial agregado. O investimento dessas empresas em TIC’s, na ordem de 2,3 bilhões gerou uma receita final de 260 bilhões. Em outras palavras, essa terceira revolução industrial com certeza garantiu sobrevida à composição orgânica do capital, e sinceramente, não quero nem imaginar a mais valia relativa no setor.
A realidade nacional apresenta dificuldades que precisam ser superadas. O câmbio e o imposto sobre a entrada de capital estrangeiro no setor afastam as TIC’s do projeto de desenvolvimento nacional, até certo ponto, reforçando a tese de que o Brasil cresce com processo de desindustrialização. No saldo de comércio exterior as TIC’s caíram 30% entre 2003 e 2006 devido ao aumento de importações.
Essa afirmação é justificada pela composição do setor: 47,8% em 2006, do valor gerado em TIC’s são provenientes de conglomerados em Telecomunicação internacionais e profundamente radicalizados no capital financeiro internacional. A distribuição da produção das TIC’s em relação aos setores estratégicos é a seguinte: 74,4% nos serviços, 23,0% na indústria e 2,6% no comércio. Vale notar que o valor gerado no setor bateu a casa dos 80 bilhões em 2006, ou seja, expressão numérica cinco vezes maior, para ser modesto, que o dispêndio em ciência e tecnologia do MCT no mesmo ano.
O Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento deve entender as TIC’s como setor estratégico em Ciência em Tecnologia 1) pela alta capacidade em gerar valor tecnológico agregado; 2) pela relação das TIC’s com a superestrutura. Uma política de transferência de tecnologias que não combata o capital financeiro internacional com um Estado forte e centralizador estaria fortemente fadada ao fracasso. Nesse sentido é preciso convergir uma política financeira e de ciência e tecnologia com fortes raízes no setor produtivo, para garantir esse sucesso.
Quando as TIC’s colocam em jogo a disputa entre pós-graduação e mercado, o Estado é novamente derrotado, o salário médio do setor TIC é em 2006 é de 2200 R$ e sobe para 3000 R$ se limitado à subárea de Telecomunicações, contra os franciscanos 1800 R$ da bolsa de doutorado de hoje, quatro anos depois do levantamento do IBGE.
Para concluir essa primeira investida sobre o papel das Tecnologias de Informação e Comunicação é importante relembrar que essas tecnologias estão presentes na nossa vida política e o avanço de nossa capacidade organizativa pode ser definido com o sentido social com que nos apoderamos desses instrumentos. Mais do que isso, precisamos definir um papel para as TIC’s no Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento. As TIC’s já são parte integrante de nossa subjetividade está na hora de operá-la do ponto de vista da organização política, nisso a UJS vêm mostrando que é craque. Precisamos ir para o ataque sem esquecer que nossa defesa está no setor produtivo. E está na hora do país parar de jogar na retranca no que diz respeito ao seu processo de industrialização.
Thiago Oliveira Custódio é Diretor de Tecnologias da Informação e Comunicação da ANPG, secretário de organização da UJS/MS, mestrando em educação pela UFMS e blogueiro: www.camaradapuff.blogspot.com