sexta-feira, 12 de março de 2010

PEC da Juventude pode ser aprovada na próxima semana, diz Danilo Moreira



Por Fernando Borgonovi

Danilo Moreira, secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Juventude, é o novo presidente do Conjuve. A eleição foi tranquila, por aclamação, na última terça-feira (09/03). Para a vice-presidência foi conduzido João Marcos Vidal, representante da União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Na entrevista concedida ao site da UJS, Danilo fala dos desafios de conduzir o Conselho Nacional de Juventude num ano eleitoral, aponta os avanços obtidos em PPJ nos últimos anos e diz que é preciso que o jovem tenha mais espaço na disputa pelo poder político. Leia:

UJS: Quais serão os principais desafios das políticas públicas de juventude no próximo biênio?

DM: O mandato do conselho é de dois anos, sendo que se revezam na presidência um ano o governo e outra a sociedade civil. Vou presidir por um ano. A prioridade vai fazer a transição entre o governo de um para outro presidente. Vai ser importante para continuidade e avanços das políticas públicas de juventude. Outra será colocar a pauta nas eleições presidenciais e ajudar a conduzir essa transição. A pauta política eleitoral será o centro.

UJS: O calendário eleitoral tende a travar a agenda legislativa. Como evitar que isso impacte em projetos
importantes em tramitação, como a PEC, o Plano e o Estatuto?

DM: Estamos agindo nesse sentido. Uma hora depois da posse do Conselho, ocupamos as galerias do Senado. Paralisamos a sessão e ganhamos os senadores para a votação da PEC (Projeto de Emenda Constitucional) da Juventude. Além de conseguir apoio de muitos partidos, os senadores assumiram
compromisso de votar a PEC na semana que vem e de diminuir o prazo regimental de tramitação. Na semana que vem podemos ter a primeira grande vitória: a aprovação da PEC. Nesse caso, o calendário eleitoral está a nosso favor.

Sobre o Plano é mais complicado, porque precisa encerrar na Câmara e ir ao Senado. Mesmo assim, temos acordo com o presidente da casa. Não vejo com pessismismo.

O mais difícil é o Estatuto, que ainda está em estágio de comissão [refere-se à tramitação legislativa da Câmara Federal], mas deve produzir um bom relatório.

UJS: Recentemente muitos órgãos da imprensa pautaram defasagens na implementação de programas governamentais voltados para a área. Por outro lado, sabe-se que a experiência de PPJ é recente, para não dizer pioneira, no Brasil. Qual balanço o Conselho faz desses 5 anos da implementação?

DM: O balanço de PPJ do governo não pode ser circunscrito à Secretaria e ao Conselho, embora estes sejam bastante positivos. Tanto pelo ineditismo e quanto pelas ações. Veja, na política educacional houve inversão de prioridades. com ampliação dos investimentos e recuperação do enfoque público. Além disso, tivemos programas de muito sucesso, como o ProUni, por exemplo. Na questão da Segurança Pública, área sensível à juventude, também tivemos avanços. Se olharmos o Pronaf por dentro veremos um foco na juventude e sem ser o da repressão. No Esporte também. Quando [o governo] anunciar o PAC 2, devemos ter uma ação forte de juventude dentro dele.

O próprio fato de estarmos discutindo sobre uma política que existe é um avanço, pois antes discutíamos sobre o que não existia. Nossa visão não é nem arrogante nem de falsa humildade. Sabemos que temos coisas para melhorar, mas temos consciência do muito que já foi feito.

UJS: O processo eleitoral de 2010 promete pautar às questões juvenis de maneira inédita na história do Brasil. Ou seja, a juventude estará no centro das atenções eleitorais. E pudera: pelos dados do TSE, são 25 milhões de eleitores entre 16 e 24 anos. Como fazer disso um instrumento para debater o aprofundamento das mudanças no país, pensando o desenvolvimento do Brasil num prazo mais longo?

DM: Primeiro, comparando com antes e vendo o que temos hoje. Mas veja: falando de alguém de 18 anos, e vai votar, ele tinha 10 anos quando Lula entrou. Tem pouca memória da chamada "herança maldita" do governo FHC. Por isso, nosso discurso tem que ser atual, sem deixar de fazer a comparação.

O potencial quantitativo da juventude não tem correspondência no parlamento, por exemplo. O protagonismo juvenil deve ser visto em todos os níveis - no potencial de mobilização, mas também nas disputas por espaços de poder.


Queremos fazer seminários e debater juventude e políticas públicas, juventude, educação e trabalho, participação e juventude, esporte, lazer e juventude, e, finalizando, discutir juventude e desenvolvimento, porque temos que debater o potencial do jovem nesse desenvovlimento.

Vamos tentar renovar o enfoque no mandato do Conselho. Fizemos o debate do jovem como sujeito de direitos e agora vamos fazer o do jovem como agente de mudança, o jovem como agente do desenvolvimento. O Samuel Pinheiro [Guimarães, da Secretaria de Assuntos de Longo Prazo] está com um plano discutindo o Brasil de 2022 - metas para o bicentenário da Independência - e lá tem metas para a juventude também. Mesmo o Plano [Nacional de Juventude] tem metas para 10 anos e estamos pensando em ampliar para 12. O discurso político precisa se transformar em açãoes de governo. É uma meta do Conselho no próximo período.


UJS: O Plano Nacional de Banda Larga tem sido bombardeado por supostamente ser estatizante. Na sua visão, qual o impacto da universalização do acesso á internet para a juventude brasileira?


DM: A marca da geração atual de jovens é essa. Por tudo o que promove na troca de informações, que hoje ocorre em rede e não é mais tão verticalizada, pode gerar um efeito muito grande. Você multiplica de maneira exponencial esse processo.

Será um instrumento forte no Conselho, estamos criando uma rede nacional de conselhos. É mais ágil que o poder púlico. Essa rede não existria se dependesse apenas de recursos humanos do governo. Pode incentivar, através da ampliação do acesso à banda larga, a educação à distância, explorar
todo o potencial das redes, combater o analfabetismo digital, pois hoje [quem não tem acesso às tecnologias da informação] fica precário no mundo do trabalho. Não é só para circular informação, mas é também vetor de desenvolvimento econômico. O próximo estudo do IPEA é sobre juventude e tecnologia da informação. Estamos aguardando e queremos discutir o impacto.

De São Paulo,
Fernando Borgonovi

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terça-feira, 9 de março de 2010

Atenção, amigos, simpatizantes e filiados da UJS/MS

O 15° Congresso Nacional da nossa gloriosa entidade acontecerá no mês de Julho, em Salvador, Bahia. Para garantir a participação dos jovens socialistas e combativos de Mato Grosso do Sul, iremos lançar o movimento rumo ao congresso nacional da UJS neste mês. Nossa programação é a seguinte:

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terça-feira, 2 de março de 2010

Com lema "Pra Ser Muito Mais Brasil", 15º Congresso da UJS está convocado

A plenária nacional da União da Juventude Socialista convocou, nesta terça-feira, 9 de fevereiro, o 15º Congresso da entidade. A plenária final ocorrerá entre 17 e 20 de junho, na cidade de Salvador (BA), mas
desde agora podem ser realizadas reuniões de filiados e apresentação do tema congressual para toda a juventude brasileira.

Com o lema "Pra Ser Muito Mais Brasil", a proposta de tese contou com dezenas de emendas e foi aprovada de maneira unânime pelos delegados presentes. Agora, o documento será debatido em todo o país, num fecundo processo democrático, até finalmente ter sua versão final aprovada na etapa nacional do Congresso.

Segundo a meta aprovada, mais de 100 mil jovens devem ser mobilizados em todas as fases do processo, sendo que serão computados apenas aqueles que efetuarem o cadastro pela "Rede UJS", sistema também
lançado na plenária.

"Pra Ser Muito Mais Brasil"
A ideia central proposta pelos jovens socialistas é de que o Brasil, fruto do acúmulo das lutas do povo que redundaram nos avanços obtidos nos útlimos anos, tem uma oportunidade rara para se contituir em uma nação próspera, desenvolvida, soberana, justa e integrada de maneira solidária com outros países e povos do continente.

O documento elenca fatos concretos que levam o país a esta nova condição, como a descoberta do pré-sal e a escolha para sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas - levando em consideração que estas não são
meras competições esportivas, mas foram possíveis graças à nova inserção do Brasil no mundo e podem significar importantes oportunidades para resolver entraves estruturais históricos, melhorando a vida do povo.

Outro eixo importante, decorrente do primeiro, é a percepção de que apenas com a união do povo e muita mobilização social será possível concretizar tal oportunidade em realidade. Ainda pela concepção da UJS,
essa luta pela construção de um Brasil melhor está diretamente ligada ao projeto de transformação socialista do país. "Sabemos que, quanto mais as transformações acontecerem, ampliando os direitos do povo e melhorando o país, mais conseguiremos ganhar adeptos para a causa de derrotar o capitalismo e construir uma nova sociedade – e é isso que nos move", aponta o documento aprovado.

Eleições 2010: O Brasil entre o avanço e o retrocesso
Seguindo esta diretriz, os jovens socialistas colocam as eleições presidenciais como o centro da luta política em 2010 e propõem uma ampla mobilização em torno de bandeiras avançadas, que enfrentem os interesses do capital financeiro e seus representantes políticos (PSDB/DEM), e equacionem problemas que afetam centralmente a juventude, como a educação, o desemprego (do qual os jovens são as principais vítimas), a violência contra o jovem nas grandes e médias cidades e outros.

Para a UJS, tal programa avançado deve ser liderado por uma candidatura que consiga representar o legado dos governos de Lula e, ao mesmo tempo, apresentar uma perspectiva de renovação e aprofundamento das mudanças iniciadas.

Rede UJS e novo site: a UJS entra de sola no mundo virtual


Um dos pontos altos da plenária foi o lançamento dos novos sistemas de organização e comunicação da UJS.
A "Rede UJS" - rede social virtual que interligará todos os filiados da entidade, núcleos e direções - será o centro de mobilização do Congresso e proporcionará profundo conhecimento da militância e suas
predileções, suas frentes de atuação, local de moradia, estudo e trabalho, enfim, um conjunto de dados que sirvam para visualizar e planejar o crescimento da entidade.

A rede social, que ainda terá novas fases de desenvolvimento nos próximos meses, também vai proporcionar criação de perfis e comunidades, veiculação de mensagens, fotos e vídeos, tal como fazem sites de relacionamento modernos e muitos utilizados pela juventude brasileira.

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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Líder indígena de Mato Grosso do Sul é tema em espetáculo teatral


O Teatro Imaginário Maracangalha dá partida ao processo de criação do espetáculo de rua, “Tekoha -Ritual de vida e morte do Deus Pequeno”, que narra a trajetória do líder indígena guarani Marçal de Souza e sua resistência histórica na luta pela terra e direitos dos povos indígenas. O grupo foi contemplado pelo edital do Fundo Municipal de Fomento ao Teatro da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande - FOMTEATRO/FUNDAC.
Fernando Cruz, diretor da montagem, há mais de 10 anos vem amadurecendo a proposta deste projeto. A força das palavras de Marçal de Souza, caladas há 26 anos, ainda pulsa fortemente entre os guarani, e relembrar esta história exigia do grupo um entendimento mais amplo, um olhar antropológico, histórico e político. “A partir da história de Marçal, pretendemos abrir uma reflexão sobre todas as lutas travadas pelas populações excluídas; lutas que traduzem a resistência de um povo e a garantia de melhores condições de vida. Isso nos remete aos povos quilombolas, aos movimentos populares e sociais, entre tantos outros. Marçal de Souza se correlaciona com todas essas causas.” Afirma Cruz.
A palavra que leva o nome do espetáculo, TEKOHA, tem um significado muito peculiar para o povo Guarani. “Teko” significa modo de estar, sistema, lei, hábito, costume. Tekoha, assim, refere-se à terra tradicional, ao espaço do pertencimento da cultura guarani. É no Tekoha que os guarani vivem o seu modo de ser. O Teatro Imaginário Maracangalha, quer fazer da rua a representação deste espaço tão sagrado aos Guarani.

A equipe de criação do espetáculo é composta por 12 pessoas, e todas têm participado desde dezembro de 2009, de um intenso processo de pesquisa conduzido pela historiadora Patrícia Rodrigues. São dois encontros por semana, onde a troca de informação através de recursos audiovisuais, materiais para leitura e referências teóricas tornam-se os elementos essenciais para a construção de uma leitura crítica e de um entendimento mais amplo sobre a luta guarani em Mato Grosso do Sul. “É imprescindível o estudo e leitura para a construção do espetáculo, o processo de pesquisa é fundamental para os atores e toda equipe. Temos que ter a percepção da correlação de força envolvida, e que representam o poder como um todo, compreensão para poder levar à rua a história deste homem, revelar o que aconteceu, e o que continua acontecendo." Afirma Cruz.

A história de vida do líder Marçal de Souza, será representada por cinco atores em cena, tendo como linha condutora a morte e o conflito no julgamento, além de uma leitura contemporânea do papel das instituições como, imprensa, igreja, poder público e latifúndio, envolvidas no contexto de sua morte. Marçal, travou o principal embate político em Mato Grosso do Sul em relação aos direitos dos povos indígenas, principalmente aos guarani - nhandéva, sua etnia. Incansavelmente, denunciou a invasão de terras pelos fazendeiros, explorações e ilegalidades acerca do desrespeito com as populações tradicionais, e logo foi alvo de perseguição dos latifundiários da região, recebendo intimidações e ameaças até ser assassinado em 1983. Os acusados por sua morte foram julgados, mas absolvidos.
Para levar isso ao público, o grupo irá utilizar elementos de rua a partir de pesquisa cênica fundamentada em Augusto Boal e Bertolt Brecht, onde as representações que identifiquem os elementos em cena, no caso, o opressor e oprimido, sejam destacadas pela relação antagônica entre ambos.
A realização desta peça cumpre um importante papel social à sociedade sul-mato-grossense, pois, ao aliar história e arte, através de formas alternativas de difusão, é possível resgatar a memória deste grande homem e estimular uma reflexão sobre a questão indígena da região. O espetáculo será apresentado em comunidades indígenas da capital, como Aldeia Urbana Marçal de Souza, Aldeia Água Bonita, e na Praça Ary Coelho. .
A estreia está prevista para primeira semana de Abril. Todo esse processo de elaboração, montagem e pesquisa estarão publicadas no blog do grupo, e podem ser acessadas pelo endereço www.tekohamarcaldesouza.blogspot.com


FICHA TÉCNICA
Direção: Fernando Cruz
Elenco: Emmanuel Mayer, Lika Rodrigues, Aniela Paes, Camilah Brito, Mauro Guimarães
Pesquisa: Patrícia Rodrigues
Alegoria: Lício Castro
Cenografia: Zé Eduardo Calegari Paulino
Figurino: Ramona Rodrigues
Produção: Ana Capilé, Pietro Falcão e Renderson Valentim
Sistematização de conteúdo e Assessoria de Imprensa: Rafaela Muniz

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

“A política como dimensão da cultura, e não o contrário”







Por Walter Sorrentino
Alexandre Santini é o comparsa de hoje no conversa.com. Ele atuou na UJS e hoje integra a coordenação do coletivo de cultura do PCdoB. Mas suas principais credenciais não são essas. Dramaturgo e diretor de teatro, é um sujeito brilhante, criativo, cativante. Ele está desenvolvendo, junto aos companheiros do CUCA da UNE de todo o país, o projeto de um espetáculo teatral com o título provisório CUCA Conta o CPC da UNE. O título é uma citação e homenagem antropofágica ao ciclo de espetáculos musicais do Teatro de Arena de SP iniciado em 1965 com Arena Conta Zumbi, depois Arena Conta Tiradentes e que chegou ao auge com Arena Conta Bolívar, em 1969/70. Tratava-se de espetáculos musicais, altamente elaborados, que mesclavam a forma épica e a dramática, e representam uma linha de continuidade e avanço das propostas dramatúrgicas do CPC.

Deixemos a palavra com ele, que me disse, carinhosamente, que se sentiu como se fossemos ambos personagens de Rasga Coração. Quero dizer que aprendi muito com a entrevista e recordei dos tempos de teatro estudantil onde iniciei minha vida política.

Alexandre, como é a peça, como surgiu a ideia e quem a escreveu?

Entre 2008 e 2009 fui coordenador geral do CUCA da UNE e sempre persegui o objetivo de consolidar o CUCA como um espaço de produção e criação artística, que reunisse estudantes, artistas e fazedores culturais com o objetivo de pesquisar uma linguagem artística mais próxima das características e das necessidades da cultura do povo brasileiro. Ao encerrar minha gestão no final do ano passado, livre das responsabilidades da coordenação geral, pensei que a melhor contribuição a oferecer ao CUCA neste momento seria como artista, através do meu ofício teatral. Conversei com alguns parceiros do CUCA, que são colegas de teatro, propondo que fizéssemos uma pesquisa, uma releitura, um mergulho profundo numa das mais importantes experiências da vida cultural brasileira, com a qual o CUCA tem uma filiação histórica direta: o Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE. Do interesse comum neste diálogo entre as experiências do CUCA e do CPC surge a proposta deste espetáculo teatral, intitulado CUCA conta CPC da UNE. E o método de trabalho é ousado: todo o processo de criação do espetáculo vem sendo desenvolvido em rede nacional, com ensaios presenciais de um núcleo gerador reunido no Rio de Janeiro, e um intenso trabalho virtual através de ferramentas da internet, reunindo artistas de pelo menos oito estados. Ou seja, fazendo também “ensaios virtuais” e construindo a dramaturgia a partir de um processo colaborativo nacional. Tem sido uma experiência muito interessante e enriquecedora, na forma e no conteúdo.

Parece que tem a forma de um auto. É isso mesmo?
Sim, os autos são uma forma espetacular existente desde a Idade Média, cujas características fundamentais estão presentes em diversas manifestações de teatro popular ao longo da história. Diversas formas espetaculares, desde as peças de Shakespeare até os desfiles de escolas de samba, se utilizam de estruturas cênicas e narrativas bastante próximas aos autos. Os autos são uma forma ao mesmo tempo épica e dramática de contar histórias, seja de um indivíduo, de um povo, de um mito, lançando mão de todos os recursos cênicos possíveis: versos, narrativas, música, imagens… O tema, ou enredo, é o que dá unidade a tudo isso. É uma forma de espetáculo com grande poder de comunicação e fácil compreensão. O próprio CPC lançou mão dessa forma de espetáculo, com o Auto dos Noventa e Nove Por Cento, escrito por vários autores, entre os quais Vianninha, Armando Costa, Carlos Estevam Martins, Cecil Thiré, e até o Marco Aurélio Garcia, hoje assessor internacional da Presidência da República, que na época era do núcleo de dramaturgos do CPC. Esta peça talvez tenha sido uma das experiências mais interessantes da dramaturgia do CPC, justamente porque sua estrutura possibilitava uma facilidade de comunicação imediata, sem necessidade de reducionismos, mensagem diretiva. O Auto dos Noventa e Nove Por Cento é um texto irônico, engraçado, que consegue ser crítico e didático sem perder o bom humor, é popular no melhor sentido do termo. Será muito bom se conseguirmos trazer esse clima para a encenação de CUCA conta CPC da UNE.

Leia a entrevista na íntegra, acesse www.vermelho.org.br/blogs/wsorrentino/

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Escola Internacional de Cinema e TV de Cuba abre inscrições para estudantes brasileiros

A EICTV comunica a todos que estarão abertas até o dia 10 de março as inscrições para o Processo Seletivo 2010/2013. As provas serão aplicadas nos dias 12 e 13 de março em Belo Horizonte - MG, Recife – PE, Florianópolis – SC, Campo Grande - MS e Belém -PA.

Serão oferecidas sete especializações - Produção, Roteiro, Direção, Fotografia, Som, Documentário e Edição. Cada candidato deverá optar por uma destas especializações.

Do Brasil, serão selecionados de quatro a seis candidatos que irão fazer parte de um grupo multinacional de 40 estudantes da América Latina, Caribe, Estados Unidos, África e da Comunidade Européia. O curso tem duração de 3 anos. O início está previsto para setembro de 2010 e término em julho de 2013.

A grande novidade desse ano é a garantia de bolsa do MINC aos participantes que forem selecionados nas provas. Em Campo Grande a prova será na UFMS com a colaboração do Departamento de Artes.

Condições e Documentos exigidos:

1) Nacionalidade brasileira.

2) Ter Idade entre 22 e 29 anos.

3) Preencher e enviar por e-mail a ficha de inscrição para a comissão do local onde fará a prova (O candidato deve levar uma cópia impressa, no dia da prova).

4) Apresentar Certificados legais de estudos que demonstrem que concluiu dois anos de estudos superiores sistemáticos, técnicos ou universitários em qualquer carreira. (Apresentar os Títulos ou Diplomas em fotocópias legais).

5) Responder a duas provas escritas, sendo uma de conhecimentos gerais sobre aspectos culturais e outra da área específica, eleita pelo candidato. Os aprovados passarão também por uma entrevista oral.

6) Apresentar seu currículo impresso.

7) Apresentar Carta de motivação, com não menos que 3 laudas, que justifique seu interesse em estudar cinema. No caso de este texto estar escrito em português, o candidato deve apresentar uma cópia em espanhol.

8) Apresentar um Auto-retrato do candidato, em qualquer suporte, técnica ou formato.

9) Apresentar um Arquivo pessoal (de materiais em cine, vídeo, foto fixa, música, artes gráficas, literatura, teatro, imprensa, etc.) em cuja elaboração haja participado ou desempenhado um papel significativo e criativo, e que seu nome figure nos créditos da mesma.

11) Taxa de inscrição - 40 reais (o pagamento deve ser efetuado em dinheiro, no dia da prova).

12) Entregar seis fotos, tamanho 10x10cm. Uma das fotos deverá ser afixada no local apropriado da ficha de inscrição.

13) Certificado médico de aptidão física e mental.

Os documentos e materiais deverão ser entregues no dia da prova escrita.

Sobre as provas

Cada candidato responderá à 2 provas escritas: uma prova de conhecimentos gerais e uma prova correspondente à especialização que escolheu. Os candidatos aprovados nas provas escritas serão entrevistados no dia seguinte pela comissão julgadora, que realiza uma pré-seleção indicando os melhores candidatos em cada especialização. O Conselho Docente da EICTV, sediado em Cuba, faz a seleção final. Os nomes dos candidatos selecionados para o curso regular 2009-2012 serão anunciados na segunda quinzena de junho.

A matrícula para os três anos tem um custo de cinco mil euros por ano. Forma de pagamento: à vista (em setembro) ou em duas parcelas (setembro e janeiro).

A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura do Brasil firmou um convênio no qual repassa recursos à EICTV, cobrindo a quase totalidade dos custos de matrícula dos alunos brasileiros.

Os estudantes que ingressam no curso regular têm direito a hospedagem em quartos individuais, alimentação, transporte entre Havana e San Antonio de los Baños, assistência médica primária e de emergência, material escolar e produção integral dos trabalhos em cinema e vídeo.

As provas escritas acontecem a partir das 8 h da manhã, do dia 12 de março.

Informações e inscrições:

As fichas de inscrição serão disponibilizadas pela internet através do blog da ACV\MS e dos sites da Associação Curta Minas/ABD-MG (www.curtaminas.com.br), da Página 21 (www.pagina21.com.br), da Cinemateca Instituto Selvino Caramori. (www.instselvinocaramori.org.br), da Associação de Cinema e Vídeo-MS / ABD-MS (acvms.blogspot.com) e BELÉM.

Após o preenchimento, favor enviar por e-mail a ficha de inscrição para a cidade onde você pretende realizar os exames.

Campo Grande / MS candal.abdms@gmail.com
ACV-MS (Candido) – (67) 33068069 / (67) 9608-7066



Realização:

Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte

Centro de Referência Audiovisual de Belo Horizonte - CRAV

Página 21

Instituto Selvino Caramori

Associação de Cinema e Vídeo / ACV-MS

Apoio:

Prefeitura de Belo Horizonte

Associação Curta Minas / ABD-MG

Universidade Católica de Pernambuco

Cinemateca Catarinense / ABD-SC

Universidade Federal de Santa Catarina

Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

Fundação de Cultura do Estado (MS)

Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande

MINC-Ministério da Cultura.
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UNE de volta para casa - 3 anos

01 de fevereiro de 2010 completa 3 anos da ocupação dos estudantes no terreno pertencente à UNE - União Nacional dos Estudantes, na Praia do Flamengo.
A ocupação

Reunindo milhares de estudantes de todos os estados do país, a culturata da UNE, tradicional manifestação político-cultural, que encerrou a 5ª Bienal da UNE, levou para as ruas do Rio de Janeiro, a memória, o protesto e a reconquista do endereço tirado à força pelo regime de terror, em 1964.

A concentração aconteceu nos Arcos da Lapa, onde bandeiras foram distribuídas e uma grande faixa dependurada. Embalados pela banda afro-carioca Orum Milá, cerca de 10 mil estudantes percorreram as ruas da cidade, relembrando canções da época da resistência ao golpe. Esse vigoroso protesto de 01 fevereiro de 2007, iniciou também, a jornada do CUCA da UNE, na luta pelo investimento de 2% do PIB na cultura e deu início à jornada pela democratização dos meios de comunicação.

Seguindo o percurso rumo à Praia do Flamengo, 132, os estudantes entoavam palavras de ordem e canções que rememoravam a época de resistência à perseguição sofrida pela UNE. No memorial Getúlio Vargas, um dos marcos do museu da República, o ponto de cultura Tá na Rua, grupo teatral do Rio, encenou momentos que marcaram o período, como a morte de Edson Luís, estudante secundarista morto, em 1968.

A chegada da multidão no endereço histórico, foi repleta de calor, tanto dos que participavam, quanto dos que assistiam de longe ou do alto dos prédios ao redor. Moradores tradicionais e antigos vizinhos da região do Flamengo se misturavam aos milhares de estudantes e celebravam a chagada da vizinha UNE, que deixara mais de quatro décadas de saudade.

A partir de então, muitos personagens voltaram a fazer parte daquele endereço. Hoje, a Praia do Flamengo, 132, abriga o espaço do CUCA do Rio de Janeiro e aguarda o início das obras de reconstrução da sede da UNE. Ela abrigará um centro cultural e será novamente um patrimônio de todos os brasileiros.

Assita ao vídeo da CULTURATA


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